O Bitcoin voltou a ser negociado abaixo da faixa de US$ 70 mil em meio a um ambiente de maior aversão ao risco global, prolongando a correção que já tirou mais de 40% do valor da criptomoeda desde o topo histórico de outubro de 2025. O movimento pressiona também o Ethereum e as principais altcoins, reforçando a leitura de que o mercado cripto voltou a se comportar como um ativo de risco sensível a juros, liquidez e humor macroeconômico.
Níveis de preço: BTC abaixo de US$ 70 mil, ETH perto de US$ 2 mil
No início dos negócios em Nova York, o Bitcoin tocou a região de US$ 69,8 mil, voltando aos patamares mais baixos desde o fim de 2024 e acumulando queda superior a 44% desde o pico acima de US$ 120 mil registrado em outubro passado. Em sessão recente, o BTC chegou a ser cotado na faixa de US$ 68,5 mil, com recuo próximo de 1% em 24 horas, segundo dados de grandes exchanges globais.
O Ethereum acompanha o movimento: a segunda maior criptomoeda perdeu mais da metade do valor em relação ao topo e é negociada na faixa de US$ 2.000–2.200, região que coincide com zonas de forte negociação institucional no passado e antigos níveis de resistência que agora funcionam como suporte. Outros ativos como XRP e Solana também ampliam perdas, com recuos mais acentuados do que o BTC, como costuma ocorrer em fases de correção mais forte.
ETF, fluxo institucional e “crise de fé” no curto prazo em Bitcoin
Um dos vetores da pressão vendedora é o comportamento dos ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA. Após registrarem entradas líquidas expressivas – em torno de US$ 562 milhões em apenas um dia –, esses veículos passaram a enfrentar saídas superiores a US$ 800 milhões em poucas sessões, sinalizando uma recalibração dos portfólios institucionais e redução do apetite por risco no curto prazo.
Analistas falam em uma espécie de “crise de fé” tática, em que o investidor institucional não abandona a tese de longo prazo para o Bitcoin, mas reduz exposição diante de:
- volatilidade elevada;
- expectativa de juros mais altos por mais tempo;
- incerteza sobre o ritmo de cortes pelos bancos centrais;
- aumento da correlação com ativos de tecnologia e IA listados em bolsa.
Cenário macro: juros, geopolítica e aversão ao risco
O recuo recente vem em um contexto de:
- incertezas geopolíticas e tensões em diferentes regiões, o que leva parte do mercado a preferir dólar e Treasuries em vez de cripto;
- reprecificação das curvas de juros, com o mercado reduzindo apostas em cortes agressivos de taxas pelos bancos centrais;
- correção em ações de tecnologia e IA, que vinham puxando o apetite global por risco e agora passam por realização.
Com isso, o Bitcoin volta a operar como ativo de risco cíclico, e não como porto-seguro imediato, reagindo mais ao humor dos investidores do que a narrativas isoladas de “ouro digital”.
Sinais técnicos: suportes em teste e risco de novas mínimas
Do ponto de vista técnico, o mercado monitora alguns níveis-chave:
- Zona de US$ 72 mil como faixa que, se perdida por muito tempo, abre espaço para queda até US$ 68 mil.
- Região entre US$ 70 mil e US$ 72 mil citada como suporte mensal estrutural – sua perda sustentada reforçaria um cenário de correção mais prolongada.
- No Ethereum, queda de cerca de 50% em relação ao topo, com preço em torno de US$ 2.200, é vista como retorno a uma “zona histórica” que pode tanto segurar quanto acentuar o movimento, caso rompida.
Indicadores como RSI em níveis deprimidos e aumento de liquidações em derivativos sugerem um mercado tentando “encontrar fundo”. Tudo isso meio a forte redução de alavancagem e reposicionamento de grandes players.
O que investidores devem acompanhar daqui para frente
Analistas destacam alguns vetores principais para quem acompanha o mercado:
- Fluxos em ETFs e produtos listados: entradas e saídas de capital institucional tendem a amplificar movimentos de preço.
- Liquidações em derivativos: ondas de stop e margin call podem acelerar tanto quedas quanto futuros repiques de alta.
- Agenda macroeconômica: dados de inflação, emprego, PIB e falas de bancos centrais continuam decisivos para o apetite geral por risco.
- Noticiário corporativo: decisões de grandes empresas que compram ou vendem BTC e ETH ajudam a moldar a narrativa, embora não eliminem a volatilidade de curto prazo.
Para quem pensa em longo prazo, a mensagem predominante dos especialistas é que o movimento atual parece uma correção relevante dentro de um ciclo maior. Não seria necessariamente o fim da tese de cripto, mas um lembrete de que risco e volatilidade continuam sendo parte central desse mercado.
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